quinta-feira, 12 de abril de 2012

Simon Cowell fala sobre a ascensão da One Direction ao sucesso




Se você tem mais de 17 anos e mora nos Estados Unidos, as probabilidades de que você não tenha ouvido sobre a One Direction até os últimos dois meses são grandes.
O grupo está conquistando um enorme público de adolescentes no Facebook e Twitter desde a sua formação no programa de Simon Cowell, The X Factor em 2010, mas eles apenas começaram a explodir na mídia americana recentemente. Enquanto o grupo estava em Nova Iorque na semana passada se preparando para a sua aparição no Saturday Night Live, milhares de garotas os seguiram pela cidade, ao estilo da Beatlemania. A sua música What Makes You Beautiful está na nona posição da Billboard Hot 100, e o seu álbum recentemente tirou Bruce Springsteen do topo das charts. A Rolling Stone falou com Simon Cowell sobre a incrível ascensão da banda ao topo.
Rolling Stone: Me conte sobre a sua primeira impressão dos garotos após conhecê-los no
Simon Cowell: Eu os conheci como artistas solos, para começar. Cada um deles individualmente tiveram audições muito boas. Nós tínhamos grandes esperanças para dois ou três deles em particular, e então tudo desmoronou em uma das últimas fases. Curiosamente, quando eles saíram, eu tive um mal pressentimento de que talvez eu não devesse ter perdido eles e talvez houvesse outra coisa que poderíamos fazer com eles. E foi ai que surgiu a idéia de que nós deveríamos ver se eles poderiam trabalhar como um grupo. Nós chamamos os cinco garotos de volta. Eles foram os únicos cinco que nós nos importamos.
No minuto em que eles ficaram lá parados juntos pela primeira vez – foi uma sensação estranha. Eles apenas se pareciam com um grupo naquele ponto. Eu tive um bom pressentimento, mas então obviamente nós tivemos que esperar por cinco semanas nas quais eles puderam trabalhar juntos. Eles tiveram que voltar para outra fase do programa na qual eles performaram juntos como um grupo pela primeira vez. Eu estava preocupado se as cinco semanas tinham sido suficientes, mas eles voltaram cinco semanas depois e foram absolutamente sensacionais.
Rolling Stone: O quão rápido você percebeu que eles poderiam ser enormes?
Cowell: Quando eles vieram para a minha casa na Espanha e performaram, depois de cerca de um milésimo de segundo. Eu tentei manter uma expressão séria para um pouco de drama para o programa. Eu me lembro de me sentar do lado dessa garota que eu estava trabalhando. No segundo em que eles saíram nós pulamos da cadeira e falamos, “Esses caras são inacreditáveis!” Eles apenas tem algo. Eles tinham essa confiança. Eles foram divertidos. Eles trabalharam nos arranjos sozinhos. Eles eram como um grupo de amigos, e meio que destemidos também.
Rolling Stone: Você ficou surpreso pela rapidez que eles explodiram e se tornaram enormes?
Cowell: Uma vez que eles estavam no programa, era uma coisa incomum, mas nós tivemos centenas de fãs do lado de fora dos estúdios. Isso não acontece com muita frequência. Quanto mais eu os conhecia, mais eu gostava deles e mais eu confiava neles. Eles tinham bom gosto e entendiam sobre o tipo de grupo que queriam ser. Eles não queriam ser moldados. Eu não estou interessado em trabalhar com pessoas assim também.
Eles tinham os seus pontos de vista e todos eles traziam algo especial para a mesa. Eu pensei, “Assim que nós assinarmos o contrato, será uma grande tacada.” Esse é um tipo de contrato especial, nós deixamos três ou quatro gravadoras da Sony fazerem uma apresentação. Eu não os assinei automaticamente com a minha gravadora. Eu pensei, “Isso é muito importante, se alguém surgir com uma idéia melhor…” Eu estava realmente disposto a passá-los para outra divisão da Sony porque eu pensei que o grupo era importante. Eu pensei que eles seriam muito enormes, eu estava preparados para fazer isso. Eu deixei a minha própria equipe trabalhar independentemente. Eles na verdade surgiram com o melhor plano. Eu senti que eles entenderam o grupo melhor. Foi bom.
Rolling Stone: É interessante que poucas boybands britânicas explodiram nos Estados Unidos. Até um grupo como a Take That, que eram enormes na Inglaterra, não fizeram muito por aqui. O que você acha que é?
Cowell: Eu criei uma banda chamada Five a alguns anos atrás. Eles tiveram um hit nos Estados Unidos (“When The Lights Go Out”). E então eles conquistaram a Suíça, algumas semanas depois do álbum, com uma música a qual eles falharam “Bye Bye Bye. E realmente foi um bye bye bye depois disso. Essa provavelmente foi a música que os quebrou. Eu poderia ter quebrado essa banda.
Eu penso que na maioria das vezes se você é britânico, então você tem que ser britânico. Eu acho que a maioria dessas bandas, terminam com um som que soa algo entre a Inglaterra e a América – o que significa que você irá afundar no meio do oceano. Você não pode apelar para isso também. Era importante que eles tivessem o seu próprio som britânico, algo diferente, e algo que parecesse com eles mesmos. Cada música que nós fizemos e a cada progresso, era sempre baseado no feedback dos garotos no estúdio. Se eles gostavam de algo, então nós continuávamos. Se eles não gostavam, então nós jogávamos no lixo. Eles foram uma grande parte no processo de seleção das músicas que foram para o álbum.
Rolling Stone: Você acha que já é hora dos EUA ter uma nova sensação? Os Jonas Brothers estão bem menores, e Justin Bieber está tentando atrair um público ligeiramente mais velho.
Cowell: Sem questionamento. Sem dúvida. A maioria das coisas na música passa por um círculo completo, eventualmente. Eu estava surpreso por uma falta de bandas nas charts. Eu cresci quando a coisa toda de Motown era enorme. A charts naqueles dias eram dominadas por grupos mais do que artistas solo em um ponto. Nos anos 90, nós tivemos New Kids (On the Block), Backstreet, N’Sync.
E então tudo mudou. No momento, é tudo a ver com artistas solo. Curiosamente, você está vendo muitos desses artistas colaborando com tantas pessoas e eles estão lançando sete ou oito singles por ano. Então, as charts se tornaram bem rastreadas. Graças a Deus crianças amam seguir um artista. Quando você faz parte de um grupo que estoura, é a melhor coisa do mundo. Apenas estava esperando por anos para acontecer.
Rolling Stone: É interessante que eles estouraram nos Estados Unidos sem praticamente nenhuma mídia. Foi grande parte no Twitter e Facebook. É muito diferente de como a N’Sync e os Backstreet Boys fizeram.
Cowell: Oh meu Deus, foi incrível. Eu lembro que a anos atrás, eu tive que fazer uma coisa com a Disney. Foi assim que nós inicialmente lançamos essa banda Five. Normalmente, nós procuramos as gravadoras americanas quando nós pensamos que algo irá dar certo. Dessa vez nós dizemos, “Vamos apenas esperar o telefone tocar e ver quem telefona primeiro”. Eu queria que eles descobrissem sobre o grupo primeiro, de uma forma que não precisássemos forçar a banda a eles.
Rob Stringer, da Columbia Records, foi a primeira pessoa a ligar, e ele disse, “Eu realmente acho que nós podemos estourar essa banda na América”. Eu disse, “Irá demorar um pouco de tempo”. Nós queríamos lançar o álbum no Reino Unido e na Europa. Quando eu estava na América fazendo as audições do The X Factor, em todos os lugares que eu ia, haviam diversas de fãs da One Direction dizendo, “Quando você irá trazer essa banda para a América?” Eu iria colocá-los na final do The X Factor do ano passado, mas houve um conflito nas datas e nós não pudemos fazer isso. Eu estava disposto a dar uma chance a eles, porque eu tinha a sensação de que eles fariam um grande impacto.
Rolling Stone: Foi um momento estranho para eles. Tantas crianças sabiam sobre eles, mas eles tinham pouca divulgação. Era bem invisível para os adultos.
Cowell: Eu acho isso uma ótima notícia. Quando se torna algo que as pessoas descobrem, eu acho que é muito mais importante do que exagerar em algo. Tradicionalmente, essas bandas tiveram alguma figura os empurrando. Eu acho que esses dias terminaram. A banda fez isso acontecer por eles mesmos. Eu acho que esses são os tipos de pessoas que a One Direction são, não teria acontecido da maneira que está acontecendo agora.
Rolling Stone: Eu nunca vi um grupo conquistar o seu caminho para shows em arenas tão rapidamente. Parece que as redes sociais realmente podem mudar o jogo.
Cowell: Para os negócios musicais, as redes sociais são brilhantes. Justo quando você acha que é desgraça e melancolia e você tem que gastar milhões de libras em marketing e isso e aquilo, agora você tem essa coisa incrível chamada poder de fãs. O mundo inteiro está ligado por um laptop. É incrível. E é libertador. Eu amo. É absolutamente brilhante. Mas existem milhares de grupos. Não acontece com todo mundo. Se você é bom – e eu sempre acreditei nisso – e você é paciente e os empresários são espertos, irá funcionar perfeitamente. Eu não vou mentir para você. Eu não sentei aqui a dois anos atrás com um enorme plano. Nós apenas tínhamos cinco pessoas brilhantes e talentosas que eu realmente gostava. Nós fizemos o melhor álbum que conseguimos, e nós esperamos pelo melhor.
Rolling Stone: Qual é o seu papel no dia-a-dia das operações do grupo?
Cowell: Primeiro de tudo, eu os escuto. Eu faço isso constantemente. O nosso trabalho agora é ter certeza de que daqui pra frente, nos possamos encorajar os melhores compositores e produtores a trabalharem com eles e fazer os melhores álbums possíveis. Como eu disse para eles um dia, “Vocês tem que aproveitar vocês mesmos. Vocês farão muito dinheiro, mas vocês terão que aproveitar cada minuto disso”. Quando eu os vejo agora, eles estão sempre rejuvenecidos e eles estão tendo bons momentos. Eles sabem que podem me ligar a qualquer momento em que estiverem tento um problema. Eles tem um relacionamento fantástico com os empresários. Foi um prazer absoluto, desde o primeiro dia, poder trabalhar com esses garotos.
Rolling Stone: Muitos desses grupos se tornam enormes mas então caem depois de três ou mais anos. Qual o seu plano para ter certeza de que isso não irá acontecer?
Cowell: Ser sensível e os tratar como seres humanos, realmente. Essa é a coisa mais importante. Tradicionalmente, gravadoras iriam lançar a maior quantidade de material em um curto período de tempo, pensando que você apenas tem dois ou três anos. Eu não acho que esse seja necessariamente o caso no momento. Se você é sensato e não os derruba, você não precisa colocar mais um tempo limite nisso. E eles são tão jovens, esses caras.
Parte do motivo que eu trouxe o The X Factor para a América em primeiro lugar, foi que eu achava que o show era capaz de produzir pop stars globais. Esse é o motivo que eu deixei o American Idol e lancei o X Factor na América. Vendo o sucesso da One Direction, eu acho, na América, valida o porque o X Factor será diferente. Você verá algumas mudanças significantes no programa nesse ano. Tem que ser visto como um veículo credível para artistas virem no começo e ter ajuda no de o que fazemos como mentores. Você tem que os preparar para o mundo real. Isso é o que o programa tem feito ao redor do mundo, com muito sucesso. Eu penso na One Direction como embaixadores do programa, você não poderia desejar ninguém melhor.
Fonte: CNN

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